
Por Wellington Sena
O intervencionismo estatal, frequentemente promovido como solução para os problemas do capitalismo, tem se revelado, na prática, uma fonte de distorções econômicas e sociais. Ao impor ordens e proibições respaldadas pelo aparato coercitivo do Estado, essas políticas pretendem corrigir falhas pontuais do mercado. No entanto, ao evitar uma articulação sistemática e centralizada, acabam por gerar efeitos colaterais que contradizem seus próprios objetivos.
Medidas como o salário mínimo, quando fixadas em níveis já praticados pelo mercado, tornam-se irrelevantes. E quando estabelecidas acima do valor de equilíbrio, provocam desemprego estrutural, excluindo do mercado uma parcela significativa da força de trabalho. A tentativa de proteger os trabalhadores, nesse caso, resulta em sua marginalização econômica.
Os gastos públicos, por sua vez, não criam empregos genuínos. Quando financiados por impostos ou endividamento, apenas deslocam recursos de um setor para outro, anulando os efeitos positivos esperados. Se o financiamento ocorre por meio da expansão do crédito, o resultado é inflação. E embora esta possa reduzir o desemprego temporariamente, o faz às custas da queda dos salários reais, prejudicando justamente aqueles que se pretendia beneficiar.
O verdadeiro motor do aumento dos salários reais é a acumulação de capital. Quando esse processo é interrompido — seja por políticas tributárias confiscatórias ou por desestímulo à poupança e ao investimento — os salários deixam de crescer e podem até regredir. A prosperidade gerada pela expansão artificial do crédito é ilusória e invariavelmente culmina em crises econômicas profundas.
O Brasil é um exemplo emblemático de um governo eminentemente intervencionista. A excessiva regulamentação do mercado, somada à burocracia e à carga tributária elevada, cria barreiras que impedem os empresários mais eficientes de expandirem suas atividades. Os consumidores são os maiores prejudicados por esse modelo, pois deixam de ter acesso a produtos e serviços melhores e mais baratos, comprometendo o dinamismo e a competitividade da economia nacional.
A história econômica recente não refuta essas previsões. Ao contrário, confirma que os problemas enfrentados não decorrem de uma falência do capitalismo, mas do fracasso das políticas intervencionistas. A crença de que o Estado pode moldar a economia à sua vontade, ignorando as leis econômicas, revela uma visão ingênua e perigosa, que despreza os limites impostos pela realidade.
Lucro e prejuízo são mecanismos essenciais de regulação no mercado. Eles transferem os meios de produção das mãos dos ineficientes para os mais capazes, garantindo que os recursos sejam alocados conforme as preferências dos consumidores. Impedir que empresários eficientes expandam suas atividades é prejudicar diretamente os consumidores e sabotar o progresso econômico.
A incompreensão da diferença entre capitalismo e intervencionismo leva muitos a acreditar que o socialismo seria a solução para os males atuais. No entanto, essa conclusão ignora que os sintomas do suposto fracasso capitalista são, na verdade, consequências diretas das intervenções que pretendiam corrigi-los. A defesa de uma economia livre não é apenas uma questão ideológica, mas uma resposta racional aos limites e falhas das tentativas de controle estatal.